Empresas com vínculo mafioso na Itália aumentaram quase 10% durante pandemia

Estes dados, referentes ao período entre março de 2020 e fevereiro de 2021, “confirmam como as mudanças corporativas são um instrumento que as organizações criminosas utilizam frequentemente para contaminar o tecido económico produtivo”, revela um relatório do órgão permanente de controlo e análise da intervenção da máfia na economia, formada por membros da polícia e carabinieri.

O número de relatos de transações suspeitas com ligações mafiosas analisadas durante a etapa da pandemia também aumentou 7%, apesar do facto de neste período ter havido menos 6,3% alterações corporativas devido à “súbita estagnação económica forçada pelos confinamentos”.

O Ministério da Administração Interna “trabalha há mais de um ano para reforçar o cordão de segurança nas atividades económicas mais afetadas pela estratégia de expansão das máfias” durante esta fase de crise devido à pandemia, disse a ministra desta pasta, Luciana Lamorgese, ao comentar o relatório.

Lamorgese salientou que o documento identifica as mudanças empresariais durante a pandemia como “um indício de contaminação” e fornece um mecanismo de análise “indispensável” para agir contra “tentativas de alterar o mercado e de condicionar os contratos públicos e concursos”.

O sector mais afetado pelas intervenções policiais contra a máfia foi o sector da construção, e as regiões com maior percentagem de empresas com transformações empresariais foram a Calábria, Sicília e Campânia, todas no sul do país.

O documento também aprofunda a análise em dois sectores particularmente afetados pela crise do coronavírus, a restauração e hotelaria, durante um período mais específico de outubro de 2020 a março de 2021.

Esta análise detalhada de 978 mudanças empresariais nestes dois sectores identificou 2.591 sujeitos envolvidos nestes movimentos, dos quais 24,8% têm contacto direto ou indireto com pessoas com “registos policiais” em crimes ligados à máfia, tais como delitos fiscais.

Especificamente, 193 indivíduos estão diretamente envolvidos com pessoas com cadastro policial, 25% dos quais envolvidos em delitos fiscais e financeiros, 17% em associação para efeitos de produção, tráfico e posse de drogas, 14% em fraude agravada para a concessão de ajudas públicas e 6% por extorsão.

Fonte:EFE

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