Jejum intermitente pode prevenir diabetes e aumentar expectativa de vida

Estudos mostram que a dieta pode operar uma modulação genética capaz de ajudar no controle de doenças e até promover um envelhecimento mais saudável

Os números da saúde brasileira não são animadores. Os dados mais recentes levantados pela pesquisa Vigitel mostram que cerca de 20% da população é obesa e que quase 56% já atinge um excesso de peso acima do limite considerado saudável. Mais do que isso, a última edição do Atlas de Diabetes mostrou que a doença cresceu em 31% no Brasil desde o levantamento anterior.

Em meio ao avanço de problemas relacionados à obesidade e aos hábitos alimentares, o jejum intermitente tem mostrado potencial para ir além da perda de peso. De acordo com um estudo em células humanas conduzido pelo diretor do Instituto de Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia, esse hábito alimentar promove o crescimento de novas células pancreáticas produtoras de insulina, reduzindo os sintomas das diabetes de tipo 1 e 2.

Segundo a nutricionista e LiderCoach em Nutrição, Janaína Macedo, mesmo com intervalos moderados já seria possível ganhar mais disposição e combater a compulsão alimentar. “Se eu proponho uma estratégia de jejum, não de muitas horas, mas que promova uma produção eficiente de corpos cetônicos, o paciente se beneficiará com energia e controlará a compulsão e o consumo excessivo de alimentos (hiperfagia) à noite”, destaca.

Você vive da maneira que você come

Janaína lembra que também existem evidências científicas que ligam o padrão alimentar intervalado tanto ao aumento da expectativa de vida como a um envelhecimento mais saudável. “O jejum promove uma melhora da resposta inflamatória com redução da liberação das citocinas responsáveis por esse processo, pela própria lipólise e também a ativação de alguns genes anti-inflamatórios, que promovem longevidade e neuroplasticidade”, explica.

Mais do que permitir uma vida mais longa, a estratégia alimentar está ainda diretamente relacionada ao controle de doenças comuns ao envelhecimento. “Com o jejum podemos modular epigeneticamente a expressão dos nossos genes para o futuro”, conclui Janaína.

Jejum intermitente e diabetes

E o número de estudos mostrando que o valor desse padrão alimentar pode ir além segue crescendo. Em um deles, publicado pelo Instituto Alemão de Nutrição Humana (DIfE, na sigla em alemão), os pesquisadores observaram como o jejum intermitente é capaz de prevenir que o acúmulo de gordura no pâncreas e fígado contribua para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Em outro estudo, apresentado em março desse ano pela Universidade de Sidney, os dados mostram que a dieta opera uma transformação das enzimas do fígado, podendo contribuir diretamente com pesquisas focadas no combate ao câncer e doenças cardiovasculares.

Já na pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia, os testes foram capazes de resgatar ratos de laboratório em estágios avançados de diabetes de tipo 1 e 2. Em humanos, pacientes com o tipo 1 da doença também produziram novas células pancreáticas.

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