Governo Estadual versus Setor Empresarial

Não poderia começar este artigo sem dizer que os governadores que insistem em promover o lockdown ou o isolamento social evidenciam uma postura responsável que visa preservar vidas e manter o bom funcionamento das estruturas de Saúde dos Estados.

*Por Luiz Cláudio Cavalcante

Quem somos nós para questionar indicadores científicos como os que têm sido apresentados pelos pesquisadores da UFG? Poderíamos fazer qualquer questionamento às decisões governamentais até há pouco pautadas nessas informações se tivéssemos para isso argumentos igualmente bem fundamentados para tal enfrentamento.

“Ah, a economia vai quebrar” – essa é uma fala que enoja porque atribui à economia supremacia com relação à vida humana. Quem deu preço à vida? Em que momento da história a economia foi reconhecida como mais importante do que as vidas humanas?

Muitos empresários estão culpando a pandemia por seus desarranjos administrativos financeiros. Mas o fato é que a pandemia veio apenas para jogar aquela pá de cal que seria jogada até o final do ano, impreterivelmente. Tem gente se dizendo prejudicada pela pandemia, mas, há muito tempo, bem antes da pandemia começar, já vinha capengando, não pagando seus fornecedores, sonegando impostos, atrasando pagamentos de salários e entregando por produtos e serviços que já foram vendidos.

Ser contra as medidas governamentais que restringem a circulação das pessoas é muito fácil, mas, quando a bomba estoura, não resta outra saída que não seja ficar com cara de arrependido pedindo ajuda nos programas de TV em busca de leitos de UTI. Ou, diante da morte de um parente, ficar culpando a falta de estrutura do Estado e do município.

De um lado, temos a ciência provando por A + B que o isolamento é que trará melhores resultados no enfrentamento à pandemia. Do outro lado, temos um bando de pessoas que acreditam nas falas de um “Capitão Bunda Suja” – termo empregado por militares de alta patente como Geisel, por exemplo – e inconsequente. Como podemos criticar ou ser contra uma decisão amparada pela ciência, pelo estudo, pela razão? Não sei. Mas ainda há quem se opõe ao que as pesquisas defendem e se considera mais competente do que a ciência.

Outra questão: Nós, brasileiros, somos diferentes do restante do mundo? Enquanto vemos inúmeros países se organizando de maneiras semelhantes tanto na promoção do isolamento social de sua população para garantir a preservação de vidas quanto no discurso de apoio às suas autoridades, os brasileiros avaliam como mais adequado andar na contramão desses movimentos internacionais. Brasileiros que, em sua grande maioria, não possuem ensino médio completo e, com muita ignorância e estupidez na bagagem, dizem que o MUNDO está errado e nós é que estamos certos. Ah, não posso ser injusto. É bem verdade que, dentre os atuais questionadores da ciência, há os que possuem graduação superior e bom acesso à informação.

Um exemplo bom exemplo desse tipo de brasileiro é o cantor Zé Neto, que fez live, apoiou a volta da população ao trabalho, foi contra o isolamento social e ainda pronunciou o mantra dos imbecis. Fez festa, apoiou o Capitão Bunda Suja e tudo mais. E o que deu? Ah, não deu outra. Ele está, agora, na lista dos imbecis arrependidos. Isso mesmo. Zé Neto gravou um vídeo em que diz estar arrependido, pede para os seus seguidores respeitarem o isolamento social e conta que quase morreu em decorrência das complicações da covid-19 que contraiu.

Será que, mesmo com depoimentos como o do cantor Zé Neto, ainda vai haver pessoas que insistem em desrespeitar a orientação das autoridades? Ah, claro que vai. Essas pessoas só não percebem que o cantor tem recursos para custear um bom tratamento e se recuperar bem da contaminação que sofreu. E nós, um bando de pé rapados, que ao longo de anos votamos em crápulas que costumam mentir sobre tudo – sobre saúde, sobre segurança, sobre educação – não temos nada além da sorte e apenas uma vida para queimar.

Quando falo que só votamos em desgraças, eu provo. Governos anteriores disseram que investiram em educação, mas por que tanta dificuldade para viabilizar o ensino à distância para os alunos da rede pública? Disseram que investiram em saúde, mas onde estão os leitos de UTI? Disseram que investiram em segurança, mas onde estão os policiais quando estamos sendo assaltados no comércio, no ônibus ou em casa? Ah, para, né? Chega!

Não podemos nos fazer de espertos com relação à realidade da pandemia. Precisamos preservar vidas. Quem dera se morresse somente aqueles que não querem respeitar a quarentena e o isolamento social. Óh, meu Deus, leve apenas esses. Deixe as pessoas que estão se cuidando e cuidando de suas famílias.

“Ah, não tenho dinheiro para comprar nada.” Onde está a solidariedade familiar? No meu caso, se vejo um irmão passando fome, uno-me a outros irmãos, a outras pessoas e, juntos, não deixamos que falte o básico a ele. Essa é a essência da família, o amor de uns pelos outros. Mas isso falta. As famílias não estão fazendo o papel delas. Ah, entendi. Pode ser que haja dinheiro para bebedeira, festas e farra. Para o cigarro, para a putaria, para o churras… Nessa situação, o problema passa a ser de ordem moral.

Por fim, que Deus tenha misericórdia das pessoas que realmente precisam de ajuda. Que Deus preserve os Seus filhos e que, os teimosos, Ele leve para que conheçam a Jesus mais rapidamente.

E, antes que venha algum empresário me encher os pacovás, posso provar que, se tivessem desenvolvido bem os pilares da boa administração, suas empresas não estariam com tantas dificuldades. Muitos confundem o CAIXA da empresa com a CARTEIRA pessoal. Não aprenderam a usar o pró-labore, nobres empresários. Usam de forma indevida os lucros das empresas e agora elas estão descapitalizadas. Investiram em carrões, em grandes festas, em grandes casas com altos custos. E o que seria para capitalização da empresa foi usado de forma indevida. Onde estão os contadores dessas empresas? Deveriam ser acionados pela justiça por não instruírem seus clientes a não cometerem tantos erros administrativos.

DESAFIO qualquer empresário aqui e agora: QUANDO FOI QUE VOCÊS TIVERAM TANTA PREOCUPAÇÃO COM A DEMISSÃO DE SEUS FUNCIONÁRIOS?

Quando foi que vocês, empresários, ficaram pensando nas contas de seus funcionários, nas famílias de seus funcionários? Ah, me poupem. Bando de canalhas. Por anos, trocavam de pais e mães de famílias como se fossem roupas. Mandando embora, dificultando acertos trabalhistas e tudo o mais. Quando foi que o empresariado virou a IRMÃ DULCE? Ah, me ajude, aí.

Quero alertar você sobre outra questão, nobre leitor. Cuide para não ser levado na conversa de jornalistas que têm salários pagos por grandes grupos empresariais e para não ser encantado pelo mantra de gente que vive de CNPJ na TV. Quantos jornalistas não são pejotizados e vivem de enganar seu público? Chega! Basta! Não podemos mais aceitar isso.

Se alguém suspeitar de que sou funcionário público, vou dizer que sou. Estudei para isso. Mas vou surpreendê-los com uma pergunta: VOCÊS SABIAM QUE AS EMPRESAS FORAM FEITAS PARA DAR LUCRO? E QUE O ESTADO NÃO FOI FEITO PARA DAR LUCRO, MAS PARA DEVOLVER AO CIDADÃO EM FORMA DE BENEFÍCIOS TODOS OS IMPOSTOS QUE COBRA DELE? No entanto, a prática governamental atual é bem diferente disso: o recurso obtido por meio do pagamento dos impostos pelos cidadãos têm sido aplicados no pagamento de propagandas veiculadas na Rede Record, na TV Anhanguera, na TV Goiânia, na Fonte TV e em muitas outras mídias por aí em rádios, jornais e sites.

Acorde, meu povo. Acorde, pelo amor de Deus! Não sejam mais manipulados por correntes de direita ou de esquerda. Simplesmente acordem.

*Luiz Cláudio Cavalcante
Jornalista e Servidor Público Estadual

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