Número de desempregados inscritos em Portugal aumentou mais de 30%

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal aumentou 34% em maio a respeito do mesmo mês do ano passado, até às 408.934 pessoas, com especial ênfase para os trabalhadores com menos qualificações e a turística região do Algarve (sul).

Os dados, divulgados esta segunda-feira pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) português, refletem que, caso se tome o mês anterior como referência, houve uma subida de inscritos de 4,2%.

Confirma-se assim a tendência de aumento já registada em abril, quando a subida de desempregados inscritos foi de 22,1% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Dados que refletem o impacto do coronavírus no mercado laboral português, dado que em fevereiro, antes da pandemia, o IEFP contava com cerca de 315.000 desempregados inscritos.

O desemprego em maio afetou todos os grupos considerados, aponta o IEFT, embora tenha sido mais acentuado para mulheres, adultos jovens e trabalhadores com um menor grau académico.

Como já aconteceu em abril, a turística região do Algarve é, dentro de um aumento generalizado de desempregados, a região mais afetada em maio, com um aumento de 202% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

As únicas regiões onde o número de desempregados se reduziu foram o Alentejo, com menos 1,4% e o arquipélago dos Açores, com menos 2,4%.

Os dados do IEFP mostram uma fotografia do desemprego no país complementada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), embora as características da pandemia tenham tornado a sua análise dos números mais complicada.

Este facto foi advertido pelo próprio INE no início de junho, quando constatou que apesar de registar oficialmente uma taxa de desemprego de cerca de 6%, o valor real poderia atingir os 13%, pelo menos em abril.

A razão desta lacuna reside nas restrições à circulação impostas durante o estado de emergência, que vigorou em Portugal de meados de março a 3 de maio, período em que aqueles que perderam os seus empregos ainda não procuravam ativamente trabalho e eram, portanto, considerados como “inativos” e não como “desempregados”.

Portugal iniciou a terceira e última fase do seu desconfinamento ao nível nacional -exceto Lisboa, que manteve restrições por mais duas semanas- a 1 de junho, dentro de um plano progressivo para retomar a economia.

Segundo as previsões do Governo português, o PIB vai cair este ano 6,7%, enquanto o Banco de Portugal prevê uma descida de 9,5%.

Quanto ao mercado de trabalho, a previsão do gabinete é que a taxa de desemprego, que fechou 2019 em 6,5%, suba até aos 9,6% a finais deste ano.

Fonte: EFE

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