Coronavirus: regresso ao trabalho e saídas ilimitadas no Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, autorizou este domingo o regresso ao trabalho de pessoas que não podem exercer as suas funções desde casa e saídas ilimitadas para banhos de sol e exercícios ao ar livre, apresentando o que ele mesmo definiu como “um primeiro esboço de um guião” para sair do confinamento imposto a 23 de março.

Num discurso televisivo, o líder pediu respeito à higiene e à distância pessoal, sob pena de multa, e que as pessoas não utilizem o transporte público, priorizando a caminhada ou o uso de carros ou bicicletas.

As novas medidas, que serão canceladas se houver um ressurgimento da pandemia, só serão aplicadas em Inglaterra, a região mais populosa do Reino Unido, com 56 milhões dos 66,6 milhões de habitantes. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm os seus próprios poderes e já avisaram que vão manter o confinamento.

Os líderes dos governos autónomos informaram que manterão a mensagem de “ficar em casa” em vez de adotar a agora promovida pelo governo central de “estar vigilante, controlar o vírus, salvar vidas”.

Johnson afirmou hoje que, a partir desta semana, haverá uma mudança de ênfase em Inglaterra, e pede que as pessoas que não podem trabalhar em casa, como as empregadas na indústria e na construção civil, sejam ativamente incentivadas a ir ao trabalho.

Boris Johnson garantiu que serão fornecidas diretrizes às empresas para facilitar a proteção pessoal e medidas de distanciamento, diante das críticas dos sindicatos, que alertaram que não recomendarão o regresso se a segurança não for garantida.

O primeiro-ministro também incentivou as pessoas a saírem às ruas a partir da próxima quarta-feira para se exercitarem, apanharem sol nos parques, conduzirem para outros lugares e fazerem desporto em grupo, mas apenas com moradores do mesmo endereço.

Na “segunda etapa” desse guião, condicionada ao não ressurgimento da pandemia, Johnson antecipou que em junho algumas empresas e escolas do ensino básico poderão reabrir parcialmente para apenas alguns cursos. O mesmo poderia acontecer em julho com as escolas do ensino secundário e o setor de hospedagem.

O chefe de governo também disse que se está a preparar uma quarentena obrigatória de 14 dias às pessoas que voam de outros países para o Reino Unido. Contudo, não deu detalhes a esse respeito.

Johnson, que hoje enfrentou críticas pela sua estratégia supostamente pouco clara, vai comparecer esta segunda-feira ao Parlamento para dar mais detalhes do plano, que inclui também a introdução de um Sistema de Alerta Covid de cinco níveis para monitorizar a incidência do vírus SARS-CoV-2 em todo o território.

O Reino Unido é atualmente o país europeu com o maior número de mortes por coronavírus por dia, com 269 óbitos nas últimas 24 horas, elevando o total a 31.855, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

Fonte: EFE

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