Lançada missão para desvendar mistérios do Sol

Criada pela ESA em parceria com a Nasa, Solar Orbiter estudará os polos da estrela e pela primeira vez fará imagens da região, considerada fundamental para entender a atividade solar. Sonda chegará ao Sol em 2022.

 

A sonda Solar Orbiter foi lançada com sucesso neste domingo (09/02) de uma base em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, numa missão sem precedentes para desvendar mistérios do Sol. Pela primeira vez, deverão ser feitas imagens dos polos da estrela.

“Estamos a caminho do Sol. É um momento fantástico”, afirmou o gerente de projeto da Agência Espacial Europeia (ESA), César García Marirrodriga.

Orçada em 1,5 bilhão de dólares, a Solar Orbiter leva a bordo dez instrumentos científicos que pesam ao todo 209 quilogramas. A sonda se juntará à Parker Solar Probe, da Nasa, lançada em 2018 com quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

“Temos um objetivo comum, o de tirar o máximo proveito científico desta missão. Acho que teremos sucesso”, afirmou a diretora da divisão de ciências heliofísicas da Nasa, Holly Gilbert.

Embora a Solar Orbiter não deva chegar perto o suficiente para entrar na coroa solar ou em sua atmosfera, como a Parker, ela percorrerá uma órbita que permitirá obter as primeiras imagens dos polos do Sol, considerados fundamentais para entender a atividade e os ciclos solares.

Segundo o diretor de Ciência da ESA, Günther Hasinger, as duas sondas trabalharão como uma orquestra. “Cada instrumento toca uma melodia diferente, mas juntos eles tocam a sinfonia do Sol”, descreveu.

A sonda foi construída na Europa, assim como nove dos instrumentos que ela leva a bordo. A Nasa foi responsável pelo décimo instrumento e pelo lançamento da missão.

A Solar Orbiter será ainda a primeira sonda europeia a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

Ela passará por Vênus em dezembro e pela Terra novamente no próximo ano, usando a gravidade dos planetas para modificar sua rota. As operações científicas completas terão início somente no fim de 2021, e seu primeiro encontro com o Sol ocorrerá em 2022.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilômetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, observará a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar.

A Parker Solar Probe, por sua vez, já chegou a 18,6 milhões de quilômetros do Sol e deve se aproximar ainda mais, ficando a apenas 6 milhões de quilômetros de distância em 2025.

Os cientistas esperam obter com a Solar Orbiter respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por ação do campo magnético, como o campo magnético é gerado no Sol e se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma da coroa afetam o Sistema Solar, além de como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

“No final da missão, saberemos mais do que nunca sobre a força oculta responsável pela mudança de comportamento solar e sua influência no nosso planeta”, disse Hasinger.

Assim como na Terra, os polos solares são regiões extremas, diferentes do resto do corpo da estrela. Está coberto de orifícios coronais e trechos mais frios, onde se originam os ventos solares. A cada 11 anos, os polos se invertem. Pouco antes dessa alteração, a atividade solar aumenta, enviando poderosas explosões de material solar para o espaço.

A Solar Orbiter está preparada para enfrentar temperaturas de até 500 ºC. Para proteger os instrumentos sensíveis das bolhas de calor, engenheiros desenvolveram um escudo térmico com revestimento preto externo feito de carvão animal semelhante ao usado em pinturas rupestres na pré-história.

Fonte: DW

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