U.K. vai às urnas pela quarta vez em 4 anos

As eleições-gerais — que vão escolher o novo Parlamento Britânico e, por consequência, o primeiro-ministro que governará o país — acontecem supostamente a cada cinco anos. Mas esta será a terceira desde 2015.

E se contarmos com o referendo de 2016, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, esta é a quarta vez em quatro anos que os britânicos vão às urnas.

A antecipação do pleito, que deveria ocorrer apenas em 2022, é justamente mais uma tentativa de acabar com o impasse que se arrasta há meses sobre o Brexit, como é chamado o processo de saída do Reino Unido do bloco.

Não é à toa que esse é o principal tema que vem mobilizando os britânicos e os debates entre os candidatos.

Por que haverá uma eleição agora?

Quase três anos e meio depois que a população britânica decidiu pelo Brexit, no referendo de 2016, a saída da União Europeia ainda não aconteceu.

A partida do bloco foi agendada originalmente para 29 de março de 2019 e, na sequência, adiada para 31 de outubro de 2019. Agora está prevista para 31 de janeiro de 2020, a menos que seja fechado um acordo de saída antes.

Os políticos estão divididos: alguns querem que o Reino Unido saia o mais rápido possível, outros preferem que seja convocado um novo referendo e há ainda quem defenda o cancelamento completo do Brexit.

O atual primeiro-ministro, Boris Johnson, não conta com o apoio de deputados suficientes para aprovar facilmente novas leis — ele sofreu consecutivas derrotas legislativas em seus planos para tirar o Reino Unido da UE mesmo que sem um acordo prévio com os europeus. Agora, Johnson espera que uma eleição antecipada aumente o número de parlamentares conservadores, facilitando colocar em prática seus planos para o Brexit, embora não haja nenhuma garantia de que isso vá acontecer.

A próxima eleição geral estava prevista para 2022, mas o Parlamento concordou em realizar uma eleição antecipada.

O Brexit é a principal pauta?

Muitas promessas foram feitas pelos partidos políticos nesta campanha eleitoral.

As propostas dos candidatos para as mais diversas áreas — como economia, defesa e policiamento — são apresentadas antes do pleito em manifestos eleitorais formulados pelos partidos.

As questões que mais preocupam os eleitores do Reino Unido mudaram muito desde as últimas eleições, conforme mostram as pesquisas de opinião.

Gráfico das questões que mais preocupam os eleitores ao longo dos anos

O sistema público de saúde (NHS, na sigla em inglês) e a imigração eram as questões mais importantes para o eleitorado em 2015.

A União Europeia despertava muito menos interesse.

Agora, no entanto, o Brexit é, de longe, a principal preocupação do eleitorado. E talvez seja, portanto, uma das questões mais debatidas entre os candidatos.

Os líderes dos dois principais partidos, Boris Johnson (Conservador) e Jeremy Corbyn (Trabalhista), batem de frente sobre o tema. Enquanto os conservadores se comprometem a “fazer o Brexit” e deixar a União Europeia até 31 de janeiro, os trabalhistas prometem “resolver a questão do Brexit” em seis meses, renegociando o acordo de Johnson com a União Europeia e colocando o mesmo para votação popular.

O NHS é outra pauta polêmica desta campanha eleitoral. Ambas as partes concordam que o serviço público de saúde precisa de mais dinheiro, mas divergem sobre como seria feito o aporte de recursos. Os trabalhistas acusam os conservadores de querer colocar o NHS “à venda” por meio de um acordo comercial pós-Brexit com os EUA. Os conservadores classificam, por sua vez, as acusações como “absurdas”.

Como funciona a eleição geral?

Nas eleições gerais, os eleitores do Reino Unido são convidados a escolher um membro do parlamento (MP, na sigla em inglês) para representar seu distrito eleitoral — são 650 no total, com cerca de 80 mil eleitores em cada.

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais pode votar, desde que esteja registrada e seja um cidadão britânico ou cidadão qualificado da Commonwealth (a Comunidade Britânica, que reúne antigas colônias, inclusive a Austrália) ou da República da Irlanda.

A votação acontece nas assembleias locais, instaladas em lugares como igrejas e salas de aula. Na hora de votar, os eleitores colocam uma cruz na cédula de votação ao lado do nome do candidato escolhido e inserem em uma urna.

No total, 650 parlamentares são eleitos para a Câmara dos Comuns, uma das duas Casas do Parlamento britânico.

A Câmara dos Lordes é a segunda Casa do Parlamento. Mas seus membros não são eleitos pelo povo — são nomeados pela rainha, mediante recomendação do primeiro-ministro.

Como são escolhidos os vencedores?

O candidato com mais votos em cada distrito eleitoral é eleito para a Câmara dos Comuns.

Para vencer, eles precisam simplesmente obter mais votos do que os adversários.

A maioria dos deputados pertence a um partido político, mas alguns são independentes.

Em geral, qualquer partido com mais da metade das cadeiras (326) na Câmara dos Comuns forma o governo.

O sistema de votação do Reino Unido funciona de modo que os partidos podem assumir o poder com bem menos de 50% dos votos nacionais.

Se nenhum partido tiver maioria, o partido com maior número de deputados pode formar uma coalizão com um ou mais partidos para ganhar o controle.

Como é eleito o primeiro-ministro?

Nas eleições gerais, o primeiro-ministro não é eleito diretamente pelo povo.

Ele é escolhido pelos parlamentares do partido vencedor e nomeado pela rainha, que tem o dever de seguir a sugestão deles. Em geral, acaba sendo o líder do partido vitorioso.

Quando saem os resultados?

No dia da eleição geral, a votação acontece entre 7h e 22h. Os resultados são divulgados durante a noite e no dia seguinte.

Quando o resultado geral é anunciado, o líder do partido vencedor vai até o Palácio de Buckingham para pedir permissão à rainha para formar um novo governo.

Uma vez que obtém a “autorização” dela, o que na verdade é uma mera formalidade, ele retorna à residência oficial do primeiro-ministro, no número 10 da Downing Street.

E costuma fazer um discurso do lado de fora da residência sobre os planos de seu partido para os próximos anos.

O que aconteceu na última eleição em 2017?

Desde 1922, apenas os partidos Conservador e Trabalhista conseguiram chegar ao poder.

Mapa das eleições 2017 no Reino Unido

Eles foram novamente os dois partidos mais votados na eleição de 2017, mas nenhum deles tinha parlamentares suficientes para formar um governo majoritário. Os conservadores foram os mais votados e formaram uma parceria com o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês).

Desde a eleição, os conservadores e trabalhistas perderam parlamentares, enquanto os liberais-democratas registraram adesões.

Fonte: BBC

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