O comunicólogo que virou inventor

Anúncio

“Grandes ideias surgem de necessidades muito simples e observáveis por qualquer pessoa que esteja de antena ligada” – Paulo Gannam

Tem gente que parece nascer programado para uma profissão. Desde cedo, sabe o que quer, e faz o necessário para chegar lá quase que de modo automático. Com um mineiro de São Lourenço, Minas Gerais, não foi nada assim. Passou, sem concluir, por faculdades de Turismo e Fisioterapia. Acabou se formando em Comunicação Social, e se especializando em Dependência Química. Hoje, com 36 anos, obtém o pão de cada dia administrando imóveis.

 

Mas o que mais chama a atenção na trajetória deste brasileiro conhecido como Paulo Gannam foi a vocação para a criação de novos produtos e para a identificação de necessidades de consumidores com a simples observação do comportamento deles e do mal funcionamento de determinados objetos.

 

Ele conta que este faro para inventar começou a aparecer ainda na universidade.

 

“Vi que os guarda-chuvas eram muito ineficientes para proteger a metade da frente de nossos calçados, que ficavam empapados durante as chuvas. Pensei em bolar um tipo de galocha, com nova roupagem, para resolver o problema”.

 

Como não tinha tempo de levar à frente esta invenção, antes mesmo de ser desenvolvida a ideia foi abandonada por Paulo. “Faltava em mim confiança e disposição para dedicar minhas energias ao desenvolvimento das ideias que eu tinha”, explica.

 

Após concluir pós-graduação em São Paulo, Gannam teve fortes crises de enxaqueca que o impediram, por alguns meses, de desenvolver trabalhos que exigissem muita concentração e raciocínios mais complexos. Meio que “à deriva” no mundo, começou a ter ideias em pacote de novas invenções, voltadas para os mais diversos mercados e áreas do conhecimento.

 

“Já que não tinha muito o que fazer, a mente ficava acelerada e, no auge, eu tinha umas 20 ideias por dia tomando cafezinho, ou colocando o pé na estrada”, lembra.

 

Após registrar cerca de 70 ideias de novos produtos em seu celular, o inventor procurou um escritório de propriedade intelectual que o orientasse a como peneirar algumas destas ideias e patenteá-las a fim de, em seguida, leva-las ao mercado com a ajuda de uma empresa investidora.

 

“Desse lote de ideias, acabamos filtrando 5, depois 4, para proteger intelectualmente. Foi uma atitude de risco, porque eu não tinha conhecimentos sobre empreendedorismo e inovação”.

 

A primeira invenção que chamou a atenção de nossa reportagem é de um sistema bolado por Paulo que, segundo ele, irá gerar uma integração da comunicação no trânsito sem precedentes. Trata-se de um produto que combina hardware e um aplicativo e permite a motoristas e motociclistas enviar e receber mensagens em texto e voz, pré-gravadas ou não, em questão de poucos segundos, sem tirar a atenção do condutor, por ser de fácil e ágil manuseio.

 

São exemplos de mensagens: “luz de freio queimada”, “pneu murcho”, “luz de ré queimada”, “porta entreaberta”, “pessoa doente no carro”, “você está sem cinto de segurança”, “socorro, estou passando mal”, “farol alto”, “desculpe”, “obrigado”, “saindo de uma vaga, favor reduza a velocidade”, e assim por diante.

 

Paulo explica o funcionamento de uma das possibilidades construtivas do produto nesses dois vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=EC_0uHUkCT4 

https://www.youtube.com/watch?v=kD_BZj50zv0

 

Paulo elaborou um plano de negócios preliminar, entrevistou 34 potenciais usuários e concluiu um estudo de viabilidade econômico-financeira voltado especificamente para o mercado automotivo. “Obtivemos apontamentos importantes sobre como deve ser o produto”, informa a investidores.

 

Outra inovação que promete acabar com a dor de cabeça de muito motorista é de um auxiliar de baliza e protetor de pneus, rodas e calotas durante encostamento ou estacionamento junto ao meio-fio. Trata-se de um jogo de sensores que, potencialmente vinculados a um aplicativo, ao cluster ou a central multimídia, oferece o maior número possível de informações para que o motorista possa fazer uma baliza ou encostar o veículo de olhos fechados.

 

“Isto, por um custo infinitamente mais barato do que os atuais ‘Park Assist’ integrados nos veículos vindos de fábrica”, garante. Segundo ele, o preço desta invenção pode chegar a R$ 500 ao consumidor, contra cerca de R$ 7.000 de um sistema de estacionamento semiautomático.

 

Neste vídeo Paulo uma das possibilidades construtivas do invento, que poderia ser usado até por veículos pesados. Um sensor lateral instalado próximo das rodas alertaria o motorista à medida que a roda fosse se aproximando da guia.

 

https://www.youtube.com/watch?v=mOBZNhIKrhU

 

Este curioso inventor está entre os 19% a 45% da população que possuem o hábito compulsivo de roer as unhas. Insatisfeito com os resultados obtidos com esmaltes de gosto ruim, terapias comportamentais e até o uso de fitas adesivas que cobriam os dedos de modo deselegante e incomodo, Paulo concebeu e recentemente obteve a patente de uma película que reveste as unhas do roedor de modo elegante e discreto. Segundo ele, não incomodaria o tato, e, ao mesmo, tempo, lembraria o usuário constantemente da necessidade de manter suas unhas bonitas e bem cuidadas.

 

O hábito gera ferimentos, sangramentos, dificuldade de digitar, tocar violão, é anti-higiênico e deixa a autoestima da pessoa baixo. Dependendo do material e dos desenhos, o produto poderia ser usado por crianças e adultos, e a doença poderia ser tratada em seu início, na infância, a fim de que não se tornasse uma compulsão ao longo da vida.

 

Já para aqueles que preservam bem as unhas, este empreendedor concebeu uma lixa para unhas três em uma com um formato inovador cujas extremidades lembram as de uma espátula.

 

Você pode lixar a superfície das unhas sem incomodar o tato e sem gerar esfoliações na pele que fica logo ao lado da cutícula, um problema bastante observado nas lixas que tem mais de duas funções no mercado. Este projeto também já teve sua patente deferida pelo INPI.

 

Além destas 4 inovações patenteadas, Gannam nos conta ter mais de 800 ideias cruas armazenadas para triagem e desenvolvimentos futuros. “Como pesquisa e desenvolvimento é muito caro, demorado e arriscado, primeiro preciso encontrar empresas investidoras para os atuais projetos, para então prosseguir com os demais”.

 

Para quem quiser conhecer mais sobre as invenções de Paulo Gannam basta entrar em contato com ele pelas redes sociais.

 

https://www.instagram.com/paulo.gannam/?hl=pt-br

https://paulogannam.wordpress.com/

https://www.linkedin.com/in/paulo-gannam-89b1b051/detail/recent-activity/posts/

 

Anúncio

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.