O BRASIL NÃO PRECISA DE HERÓIS

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Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online.
Esta coluna é atualizada quinzenalmente.

Sem adentrar em questões sobre erros ou acertos, candidatos ou partidos políticos fato é que não precisamos de heróis, mas, sim de gestão, governança, transparência, ética, comprometimento e muita competência para administrar o país.

Não há solução simplista para os problemas complexos, internos e externos, enfrentado por um país com a dimensão do Brasil e causa espanto quando se busca na figura de um Presidente da República, um herói, um salvador ou um milagreiro.

O Brasil vive sua adolescência democrática com seus 518 anos de idade se comparado com países que têm universidades com mais de 1500 de existência.

Como todo adolescente, o turbilhão faz parte da construção de sua “personalidade” e o povo eleitor, com as exceções próprias de todas as situações, é o reflexo desse momento de crescimento e desenvolvimento democrático.

Embora isso não justifique a ausência de racionalidade política é preciso amadurecer enquanto sociedade democrática. Aprender a buscar nos candidatos qualidades que demonstrem competência para o exercício do cargo ao qual se propõem ocupar.

Não é o discurso heroico que faz de um candidato melhor que outro, mas, sim o quanto e como ele demonstra sua capacidade de exercício da função pública, com sua formação, experiência, atitudes, histórico de suas realizações, sua conduta ética pessoal e profissional.

Se o leitor está imaginando que esse candidato nunca existirá, então fica o convite para participar mais ativamente da política. Não é preciso se candidatar, mas, com certeza é preciso se envolver e se comprometer com o país enquanto cidadão.

Pense em valores essenciais, reflita sua própria condição de eleitor, veja como pode contribuir para o país melhorar com suas atitudes cotidianas. Seja um vetor da quebra da corrupção, aprenda a conviver com as diferenças, tenha mais tolerância, solidariedade e fraternidade.

Não há dúvidas que diante do rumo que o país tomou, realmente há necessidade de mudanças significativas, mas, isso passa também pela mudança de consciência do papel do eleitor.

Em todas as eleições aparecem os heróis que defendem ideias que os eleitores gostam de ouvir como a melhoria da educação, saúde, segurança, desenvolvimento e mais emprego, no entanto, esse é discurso básico que ouvimos desde a abertura política com a retomada do caminho da democracia, com a Constituição Federal (conhecida como Constituição Cidadã) e a queda da ditadura.

O apego à ideia de que será um herói a resolver os problemas sociais, econômicos e tantos outros representa não somente um erro, mas, a aceitação da ilusão, do sonho, do mundo da fantasia.

E com certeza não é isso que fará o Brasil retomar o caminho do desenvolvimento, ser respeitado perante outras nações, ter o reconhecimento de seu amadurecimento democrático e político.

Caro leitor, é preciso acordar para a realidade, colocar o pé no chão e buscar ao invés de um herói um gestor que com uma equipe técnica e eficiente seja competente para enfrentar um país em crise de identidade e em pleno desenvolvimento.

Exigir mais gestão e governança ao invés de heróis é um ato de cidadania!

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