PARTIDOS POLÍTICOS E ELEIÇÕES GERAIS DE 2018 NO BRASIL

Em período eleitoral, é necessário se fazer uma reflexão sobre as ideologias defendidas pelos partidos políticos e se, na prática, atuam conforme pregam em seus estatutos.

Inicialmente, importante destacar, que comumente se classifica ideologicamente os partidos políticos em 3 (três) grandes grupos e a partir deles surgem variações, mas que mantém características em comum do grupamento originário. Serão esses 3 (três) grandes grupos que serão abordados: esquerda, direita e centro.

Artigo de opinião enviado por: Luiz Fernando Neto Silva, advogado militante na seara do Direito Eleitoral e Administrativo

A utilização da classificação de esquerda e direita para demonstrar as preferências políticas nos remonta à Revolução Francesa, na organização dos Estados Gerais, ainda no período final do século XVIII. Os representantes que defendiam a reforma social e o igualitarismo ficavam sentados à esquerda do rei, já os representantes que defendiam a o conservadorismo e a aristocracia, sentavam-se à direita. Em meados do século XIX, na Europa, a diferenciação de esquerda e direita passa a ser relacionada com a diferenciação das idéias conservadores com as idéias liberais.

Em relação aos partidos de centro, selecionam ideais tanto de esquerda quanto de direita, da maneira que lhes for mais conveniente, sem a necessidade de seguimento de uma ideologia fixa, concentrada em pontos específicos.

No estudo da Política atual a relação entre a classificação política, ideologia e sistema econômico defendido, já se consolidaram. A caracterização dos partidos políticos pelo seu posicionamento, ou seja, de esquerda, de direita ou de centro, está relacionada a uma determinada teoria sobre as disputas partidárias, a teoria econômica da democracia (DOWNS, 1999), onde cita que “os partidos movem-se ao longo do espectro ideológico formulando propostas de políticas para obter votos em busca dos quais se permitem mudar de posição.”

Segundo essa teoria “os partidos posicionam-se em relação ao peso desejável da intervenção estatal na economia, entre a extremidade esquerda (controle governamental pleno) e a extremidade direita (mercado completamente livre)”. Ou seja, a posição defendida por cada partido pode mudar conforme o eleitor mediano vai definindo suas prioridades, e buscando angariar esses votos os partidos definem suas ideologias.

Esse significado de esquerda e direita, não está livre de polêmicas. Contribuem para as discussões as diferenças entre liberalismo econômico e liberalismo político, a recorrente confusão com a dimensão progressista-conservadora, os partidos ligados a religião na Europa e até mesmo no Brasil, assim como as especificidades do sistema partidário adotado nos Estados Unidos, o fundamentalismo, o fascismo, o abalo nas bases sociais dos partidos, e de maneira mais recente, o neoconservadorismo e a problemática de encaixar as questões pós-materialistas, como por exemplo, as ambientais e étnicas.

A literatura nos traz diferentes maneiras de identificar o posicionamento de um partido, seja ele de direita, esquerda ou de centro, de maneira inicial podem ser associados a dois grupos relacionados a autoria da classificação: os métodos baseados na identificação feita pelo próprio partido e os métodos baseados na identificação que outros (analistas ou eleitores) fazem dos partidos.

Nestas eleições gerais de 2018 no Brasil, vislumbramos candidatos e partidos se apresentando em diferentes correntes ideológicas, mas que nem em análise perfunctória se aproximam, com raríssimas exceções, do radicalismo observado em outros países. O fato é, que o conservadorismo e os discursos populistas tomam conta das campanhas e acirram os ânimos em debates mornos com profusão de candidatos perdidos em suas próprias propostas, mas que se adaptam conforme a reação do eleitorado, em uma eterna busca pelos votos dos indecisos.

Hoje, independentemente da classificação, seja de direita, esquerda ou centro, os partidos políticos e os candidatos, não fixam suas ideologias de maneira a não aceitar alterações, já que conforme mudam os interesses dos eleitores, também mudam a forma de abordagem dos temas, por mais complexos, representativos e polêmicos que sejam. Mais do que o posicionamento político, os partidos políticos e os candidatos buscam o voto para que se mantenham no poder e não medem esforços para convencer o eleitor e alcançarem seus objetivos.