“Fala baixo senão eu grito”

Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online.

O espetáculo pode ser definido como uma tragicomédia, escrito pela premiada Leilah Assumpção, que nos conta a história de Mariazinha, uma mulher solteira e mal resolvida, que reside em um pensionato para moças e por ser uma pessoa triste, se isola. A solidão toma conta da vida de Mariazinha, vivida pela ótima Patrícia Oliveira, e a faz viver de suas lembranças um tanto quanto nostálgicas.

Tudo muda quando a figura de um homem estranho adentra seu quarto, como se fora um marginal, e a faz refém de si mesma. Este homem é interpretado pelo maravilhoso Bruno de Sousa, que têm atuação impecável e prende não só a personagem, mas também a atenção de todos que o assistem.

Uma história que fala muito de solidão. A que vivemos quando entramos em nossas casas, a que nos permitimos, a que nos isola do mundo e nos faz mal. Segundo a própria autora, ela escreveu sobre a mulher que se sente reprimida, diante de seus próprios anseios.

Um bom figurino, apropriado e condizente de Carol Pinheiro, uma direção de arte caprichada nos detalhes de Sabrina Travençolo e uma maquiagem curiosa e instigante de Sócrates Coelho.

A direção de Georgenes Isaac deixa o espetáculo um tanto quanto inquietante, causando dúvida e estranhamento, o que parece ser a intenção do mesmo.

Nesta montagem, o quadro é quase delirante, um desdobramento, como se tudo que ela colheu de informações e vivências se passassem de uma vez em sua cabeça. Ela vive, ou pensa viver sentimentos e sensações que teme se permitir, e tudo acaba num lugar onírico, onde a personagem experimenta o gosto da suposta liberdade de ser.

A relação de Mariazinha com o tal homem talvez seja só fruto de sua imaginação, ou não. Talvez seja um pesadelo, ou não, talvez seja um assalto real, ou não… É preciso ver para entender ou não, ‘Fala baixo senão eu grito’