Rede Sustentabilidade de Marina Silva ainda com indefinições na majoritária em Goiás

Foto: Último Segundo - iG

O partido Rede Sustentabilidade foi fundado há pouco mais de 2 anos, e já encontra problemas em vários diretórios estaduais ou ELOS como são chamados os diretórios.

Depois de problemas com pré-candidaturas a deputadas estaduais e federais no estado de São Paulo e com o pré-candidato ao governo Fabio Bueno Tanaka, o imbróglio agora é no estado de Goiás.

A Rede Sustentabilidade Goiás tinha dois pré-candidatos ao governo, a advogada Sara Mendes e o ex-procurador Edson Braz.

Mas o tempo fechou no último mês, e os dois foram descartados sob a alegação de que o melhor para o partido é coligar proporcionalmente e majoritariamente. Resultado: conflitos internos de membros do diretório que acreditam ser a melhor opção a de lançar candidatura majoritária e outra parte do diretório acreditando ser a melhor opção a coligação proporcional e majoritária.

Para entender melhor sobre o que está acontecendo na Rede Sustentabilidade Goiás, o Na Pauta Online, conversou com professora universitária e membro da executiva estadual, coordenadora de ativismo e movimentos sociais da Rede Sustentabilidade Goiás, e pré-candidata a deputada federal, Mirelli Uana Marques:

NPO: Mirelli estamos no prazo final do encerramento das convenções para as eleições gerais no país, e em Goiás, a Rede Sustentabilidade, ainda não realizou sua convenção para homologação das candidaturas, existe algum impasse dentro do partido em Goiás?

Mirelli Marques: Na verdade o que esta acontecendo na Rede é o seguinte: tivemos nossa pré-convenção realizada dia 28, juntamente com os membros do ELO, onde foi discutido a questão dos pré-candidatos na proporcional e a questão majoritária, onde inicialmente havia um trabalho voltado a Sara Mendes e ao Edson Braz, como possíveis pré-candidatos ao governo pela Rede. Em contrapartida havia outra proposta para que fosse feita coligação na proporcional e majoritária. Foram discutidas as duas propostas com os membros do ELO, colocado em votação e foi decidido por maioria que a Rede não lançaria candidato a majoritária e sim iria para a coligação.

Logo após decidido isso, foi colocado em discussão e votação com quem a Rede iria se coligar, e entre o pré-candidato do MDB Daniel Vilela e do PSDB José Eliton, ficou decidido após votação que iriamos coligar com o pré-candidato do PSDB, José Eliton e foi marcada a convenção para o dia 2, onde seriam homologadas as candidaturas proporcionais e a coligação com o PSDB. Na convenção dia 2, um dos grupos do ELO, comandados pelo porta voz estadual da Rede, considerado pelo TRE como vice-presidente do diretório, o senhor Aguimar Jesuíno, queria a candidatura majoritária na Rede e não aceitou a coligação com o PSDB, e está tentando boicotar se recusando a assinar a homologação da decisão do diretório, porém segundo o estatuto da Rede, as decisões do ELO, são superiores as decisões do diretório e o ELO decidiu pela coligação.

O problema é que quando o ELO é reduzido apenas aos membros da executiva, a maioria desses membros pertencem a ala que queriam que a coligação com o PSDB não fosse aprovada. E o Aguimar conseguiu esse respaldo com essa ala e fica tentando manobrar de forma que não consigamos homologar o que foi decidido na pré-convenção, nos forçando a realizar a convenção no último dia permitido pela legislação.

NPO: A Rede Sustentabilidade é um partido programático?

Mirelli Marques: Sim, estatutariamente nós visamos e sempre tentamos agir dessa forma.

NPO: A Rede sempre prezou, em jamais coligar com partidos os quais os membros estejam envolvidos em denuncias de corrupção como a operação lava-jato correto?

Mirelli Marques: Não, eu nunca interpretei assim, as orientações que eu sempre interpretei são que você não vai coligar se o nome de quem você vai defender, seja o nome de alguém que esteja envolvido com denúncias e provas como o da operação lava-jato. O que Marina Silva fundadora da Rede sempre diz em seus pronunciamentos é: “no meu governo eu terei os melhores comigo, eu não demonizo partidos, tanto que vou compor o meu governo com os melhores, e os melhores estão em todos os partidos”.

NPO: Na sua opinião, hoje em Goias coligar com o PSDB, é melhor do que lançar candidatura majoritária?

Mirelli Marques: Sim, considero que sim, porque uma pré-candidatura majoritária, tem que ser trabalhada e construída dentro de um partido, e no ano passado quando aconteceu a convenção estadual da Rede Sustentabilidade em Goiás, o partido estava despreparado para trabalhar uma candidatura majoritária, ninguém se dispôs a lançar o nome, e até março desse ano, todo mundo estava tentando trabalhar uma coligação programática dando abertura para conversas com lideranças de outros partidos e não se falou em lançar nenhum nome para uma candidatura majoritária. Apenas em abril desse ano que houve uma reunião com o ELO, alguns membros insatisfeitos com as posições da Rede nesta questão, começaram a lançar alguns nomes para pré-candidatura. Mas como você pode trabalhar o nome de alguém dentro de um partido, sendo que essa pessoa não é conhecida politicamente ainda?

NPO: O partido não tem nomes competitivos para concorrer então a uma candidatura majoritária?

Mirelli Marques: A Rede tem bons nomes, a Rede tem pessoas as quais nós poderíamos trabalhar uma majoritária. Eu vou citar um exemplo que é o nome da Sara Mendes, mas o que acontece, este nome teria que ter sido trabalhado antes e ai sim ela conseguiria construir uma boa candidatura e conseguiria a maioria do apoio dos ELOS, mas o que aconteceu foi que a Sara Mendes chegou depois de toda essa situação já encaminhada para uma possível coligação na majoritária com outro partido, para mobilizarmos e trabalharmos a candidatura dela, seria um tempo muito curto. Já o Edson Brás, o outro pré-candidato, por mais que o nome dele já seja conhecido dentro do partido, ele não conseguiu conquistar nem mesmo os ELOS municipais, mesmo tendo um tempo maior como membro da Rede.

NPO: Mirelli mais alguma coisa que você gostaria de citar que deixamos de perguntar?

Mirelli Marques: Para mim não importa se a coligação é com o partido A, B ou C, o que me importa é podermos trabalhar nossa chapa proporcional de candidatos a deputados estaduais e termos estrutura para nossa chapa de candidatos a deputados federais, que possamos coligar com partidos que venham ter nomes competitivos como os da Rede para que não haja uma falta de equilíbrio nas chapas, conseguimos essa construção com o PV e AVANTE e estão inclinados a apoiar a candidatura do José Eliton – PSDB. A minha finalidade é manter o partido vivo em Goiás, manter o partido nacionalmente para que Marina venha ser eleita presidente do Brasil.

*Nota da Redação: O senhor Aguimar Jesuíno foi contactado pela nossa equipe e disse que se pronunciaria apenas  após a realização da convenção no dia 05 de agosto.