LTDA.

Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online.

Um texto que partiu de um desejo de uma companhia de teatro chamada Coletivo Ponto Zero, que vem falar do mundo atual em que vivemos. Um mundo que ainda não sabemos como administrar e por isso trás a tona a discussão das falsas notícias que nos cercam.

Falar do que as redes sociais nos causam é bastante contemporâneo e curioso. Um espetáculo que gera interesse imediato. Instigante e muito bem dirigido pela atriz Débora Lamm, que desta vez não atua, mas deixa bravamente ali a sua marca e seu talento. As cenas são super (bem) marcadas, e cada gesto têm significado próprio, nos remetendo justamente às ideias que a diretora e a companhia quiseram nos passar.

O nome da peça já faz uma alusão à “limitada” condição que se vive hoje. Mas também coloca no contexto uma agência (de mesmo nome) onde os funcionários e sócios fabricam “fake news” e se articulam para propagar tais notícias afim de favorecer os que têm poder. Infelizmente uma cruel e injusta realidade.

Hoje é difícil saber o que é verdade de fato, pois somos induzidos por uma avalanche de informações que mal sabemos de onde surgem, e com isso a população vai se empobrecendo moralmente, se perdendo e em contrapartida, justo em ano de eleição, o espetáculo vem como um alerta: Se o povo não acordar, tudo pode piorar. Pode mesmo!

Um figurino apertado de forma inteligente para que passe justamente a ideia do incômodo é muito bem realizado por Ticiana Passos. A luz de Ana Luiza de Simoni é perfeita e trás a inquietude necessária. Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi, Leandro Soares, Lucas Lacerda e Orlando Caldeira são atores muito bem preparados para soltarem esta bomba em cena. Eles explodem, arrasam quase que literalmente com suas performances.

O texto é rico, forte e polêmico. Diogo Liberano vai ao âmago da questão e até nos incomoda com tantas verdades dentro de uma peça que justamente fala da mentira tão gritante sob a qual vivemos. Questiona manipulação de pensamentos e como somos induzidos a todo o momento, sem que percebamos o quão invasivo é um noticiário, e que raramente apuramos algo que chega às nossas mãos.

Casos reais são contatos e ainda nos assustam…O que é bom. Pois não devemos nos acostumar com o que é nocivo. Que sempre nos sintamos incomodados, para nunca mais nos tachem de LIMITADOS.