O preconceito nos deixa mais burros!

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Estevão Alves
Estevão Alves – Pensador, radialista, produtor de tv, dj, radicado em em Amsterdã e Colaborador do site Na Pauta Online.
Esta coluna é publicada todas as terças-feiras.

Somos todos filhos de algum tipo de preconceito, isso é uma grande verdade! É meio que automático, olhamos alguém com uma roupa diferente e já começamos a julgar, ao ver alguém gritando na rua já chamamos de farofeiros, e quando a novinha rebola no baile os moleques já imaginam que ela é do movimento, a mulher mãe solteira, o negrinho na esquina, aqueles dois motoqueiros…

Estamos sempre prontos para julgar! Julgar sem conhecer, e muitas vezes já condenamos sem nem saber o nome do réu.

Sem falar em outro tipo de preconceitos, aquele que você escuta alguém falando que aquele povo não presta, ora falam de negros, hora de cubanos, aqui na Europa fala-se muito dos islâmicos, principalmente dos marroquinos, e automaticamente você anda longe deles, que andam sempre de caras fechadas e sorrindo só para seu próprio povo, as mulheres com suas burcas não olham diretamente para dentro de nenhum olho masculino, são fechadas ao mundo exterior e sem questionar nada obedecem sua religião e cultura!
Para mim é algo até surreal em pleno século 21 pessoas serem tão submissas a cultura ou religião! Por outro lado sempre admirei porque tem que ser bem forte para aceitar algo com tanta fé!

Esta semana tive o prazer de trabalhar por 7 dias dentro da casa de uma família de marroquinos, pai e mãe, filha mais velha, filho adolescente e um pequenino na fase dos porquês.

O pai vi umas duas vezes apenas, o filho adolescente sempre com um sorriso no rosto, a mãe sempre seria mais sempre muito educada e me deixava bem a vontade, a filha sempre sorrindo também perguntava o tempo todo se eu precisava de algo, eram de uma educação formidável, sem falar que a matriarca nos dava comida! E eu e comida somos parceiros!

Café da manhã com ovos ao azeite, uma delicia! No almoço ela fazia pratos típicos marroquinos, que mão abençoada por Alah, que tempero divino, foi cuscuz marroquino com legumes, sopa de lentilhas, macarrão com camarão, salada fria de atum, e outras comidas que não sei bem o que era, mas que eram deliciosas!

Sem falar no pequenino, que nos dois primeiros dias tinha medo de mim, talvez pelo meu tamanho, pela barba ou pelas tatuagens, mas assim que eu brinquei com ele tudo mudou, e pude até exercitar bastante meu holandês com tantas perguntas, acho que também mudei o preconceito deles.
Pois no final as mulheres olhavam dentro dos meus olhos ao falar comigo! Isso é respeito!

Tive o prazer de conhecê-los, tive vergonha de saber que meu preconceito é burro, me deixava burro! Hoje venho sempre combatendo muitos preconceitos que a vida nos obriga a ter, a cada dia um ou outro cai por terra! Mas este foi um tapa com luvas de pelica! Que vergonha achar que por serem tão diferentes de nós,  seriam animais irracionais! Que seriam homens bomba, que seriam loucos…

Fui tão bem tratado, com tanto carinho e respeito que por mim eu ficaria lá para sempre apreciando a culinária marroquina e sua hospitalidade!

Se não fosse a minha burrice eu poderia já ter conhecido várias outras famílias marroquinas!

Mesmo que existam pessoas diferentes que sejam más, eu sei que não são todos! Assim como o povo brazuca, tem gente de bem e tem gente ruim!
Mas não dá pra ver só de olhar! Porque todo preconceito é burro!

E em pleno século 21 vivemos isso dia após dia, racismo, homofobia, xenofobia, machismo, religião! E ao pensar que somos superiores por qualquer que seja o motivo é se rebaixar ao nível de cobras venenosas, destilando veneno!

O mundo só é belo porque tudo é diferente! Porque cada um é único! Porque somos parte de um todo, mas somos cada um, um! E juntos poderíamos mudar o curso da estupidez!

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