A fraude que a imprensa se nega divulgar

Como quem sabe, e para quem não sabe, deixo para escrever minha coluna um dia antes, ou no dia de ser publicada. Porque isso? Brasília é um campo minado e a qualquer momento algum político pode dar um passo em falso e….PUM…explode.

Esta semana foi bem agitada por conta das convenções partidárias que estão acontecendo em todo o país para definir os candidatos minoritários, deputados, e os majoritários, presidente, governadores e senadores.

Optei por não escrever sobre isso, afinal é um assunto que toda a mídia nacional está em cima, além é claro do caso do Dr. Bumbum.

A abordagem de hoje também envolve a saúde, mas não a estética, e sim de milhares de mulheres moradoras de uma cidade de médio porte no Rio Grande do Sul – Pelotas.

Foto: Cidades em fotos – Blogger

Ano eleitoral é o ano onde os podres dos candidatos são jogados no ventilador, é o ano das denúncias, é o ano em que os olhares se voltam para os ‘pretendentes a uma vaga’, é o ano em que e a mídia nacional escolhe quais notícias farão parte da pauta, atendendo a determinados partidos, em detrimento aos interesses da população.

Pois bem, Pelotas foi assolada na última semana com uma denúncia de que as mulheres que buscavam os postos de saúde municipal para fazer o exame anual de prevenção contra o câncer de útero – o papanicolau – não tinham o material colhido analisado pelo laboratório.

Você deve estar se perguntando como assim? Pois bem, o laboratório contratado pela prefeitura, não realizava os exames. Eles faziam o diagnóstico por amostragem.

Isso mesmo, ao invés de analisar todas as lâminas que eram encaminhadas, eram selecionadas apenas algumas, para as demais, a maioria, o resultado era SEMPRE NEGATIVO.

A suspeita é de que o laboratório vinha agindo dessa forma há pelo menos quatro anos.
Ano passado, em Julho, os médicos e enfermeiros que trabalham na unidade de saúde onde a grande parte dos casos aconteceram, assinaram um documento alertando que há quatro anos em nenhum exame foi constatada algum tipo de alteração.

Leiam bem, em Julho de 2017, ou seja, há um ano!!! E porque esperaram todo esse tempo para divulgar? O Ministério Público da cidade só resolveu tomar uma atitude as portas das eleições?

Até o momento não existe resposta para o porquê de o ex Prefeito de Pelotas e hoje pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), não ter aberto sindicância para averiguar as suspeitas dos médicos?

O mais estranho em tudo isso é que as amostras começaram a voltar sem alteração, justamente um ano após sua eleição e perduraram até este ano.

Em política não existe coincidência, existe evidência e infelizmente essa é uma evidência de que durante esses anos, mulheres podem ter morrido, ou desenvolvido uma metástase por não terem em mãos o verdadeiro diagnostico. Quantos órfãos temos por conta da sede, pelo poder, pelo dinheiro?

Uma pena, conheci o Eduardo na época que andava no PSDB, ele me parecia um cara bem legal, sangue novo, com “ideais” de mudança.
Mas acabou se transformando no “mais do mesmo”, e o pior, se tornou cúmplice na causa da dor de várias famílias.

Foto: Diário da Manhã

A prefeita em exercício, Paula Mascarenhas, disse que irá refazer os exames, MAS NÃO TODOS. Como assim? Outra amostragem??
Tem que refazer todos sim….

Nessa hora, em que se esperam manifestações de solidariedade, não li ou vi o secretariado mulher do PSDB emitindo nenhuma nota às mulheres que foram vítimas desse estelionato político, mas diga-se de passagem, afinal a Presidente do PSDB Mulher é do Rio Grande do Sul.

Será que neste caso é mais fácil a união partidária ou a união solidária?

Pergunto:

Quanto o laboratório recebeu pelos exames não realizados?

Fizeram isso, porque eram somente mulheres? E ninguém “olharia” por elas?

Porque só agora, as vésperas de uma eleição essa fraude foi divulgada?

E qual o motivo do desinteresse da imprensa local e nacional em divulgar esse absurdo? Será porque há interesse em proteger o partido envolvido?

Acima de partidos, são pessoas…pessoas que podem estar morrendo por utilizar a saúde pública. Um dos ralos que mais escoa dinheiro público para investimentos que não são propriamente os da saúde. Se é que me entendem.