Câncer: “quem gosta de mim sou eu”

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Talvez essa fosse uma foto melhor para o outubro rosa. Mas, quando recebi esse desafio da foto em preto e branco – para lembrar da prevenção do câncer de mama – notei que nunca tinha publicado uma foto careca. Embora a careca não me incomodasse em nada, a não ser na hora de dormir porque é gelado! Rs.

Então, hoje decidi contar como descobri que estava doente. Porque acho que pode ajudar muita gente e, talvez, até devesse ter feito isso antes.

Estava trabalhando insanamente, como sempre, mas tive uma chateação profissional e decidi cancelar uma viagem que faria para um congresso internacional. Era feriado, fiquei em casa sem nada para fazer.

Estava deitada com o Marco, quando cocei minha axila. Senti uma bola. Uma bola? É, já era uma bola.

Por que estou dizendo isso? Porque se tivesse tomado banho devagar, passado creme devagar, respirado devagar… teria visto antes. Imagina se eu tivesse feito o auto-exame? Quem não vê uma bola debaixo do braço? Pois é… eu não vi. Descobri coçando meu braço no exato minuto em que a vida me freou.

Mesmo assim, meu impulso não foi ir ao médico. Acredite: a gente protela por tudo… porque tem outra coisa para fazer, porque quer se enganar, porque é burro mesmo! A sorte é que minha mãe estava lá e ficou insana. Me obrigou a sair correndo para BH e ir ao médico na semana seguinte.

Fiz a mamografia e ainda voltei para Brasília… demorei quase 15 dias para fazer o ultrassom. Foi lá que o médico disse: “não tem jeito ameno de dizer isso. Você não tem tempo. Saia daqui agora para um mastologista”.

De lá já marquei a consulta e, no mesmo dia, fiz a biópsia. Que ainda demorou uma semana. Por ironia do destino, foi no dia da minha palestra no Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral – há dois anos – que recebi a ligação com o resultado. Que, na verdade, eu já esperava…

Comecei a químio mesmo sem todos os resultados, porque não tinha tempo. A essa altura já esperava um exame genético que chegou com mais uma reviravolta: BRCA positivo.

Muita gente ainda não sabe, mas muitos cânceres potenciais podem ser identificados por um exame genético que é feito só com a coleta de sangue. Simples e que o plano de saúde paga. Você pode pensar: para que vou fazer isso? Só para sofrer por antecedência? Lógico que não!! Porque tem muita coisa para fazer se você tiver a mutação!

No meu caso salvou minha vida com a mudança dos remédios. No caso da minha irmã – que também tem a mutação – permitiu que ela fizesse a mastectomia bilateral antes de ficar doente. É radical? É. Mas para um risco de mais de 80% de incidência, esperar para que? Em qualquer caso, o diagnóstico te permite ficar atenta e avaliar as opções.

Sou muito grata por tudo que aprendi nessa jornada. Não escolheria um caminho diferente. Mas, ninguém precisa passar por isso. Não seja idiota como eu fui, deixando o cotidiano atropelar seus minutos com você.

Faça o autoexame. Procure um médico e faça uma mamografia regular. Se sua família tem histórico de câncer – como a minha – procure um médico geneticista e pergunte sobre os exames genéticos.

Tento repetir todos os dias o que minha mãe martela por anos na nossa cabeça: “Quem gosta de mim sou eu! Aquele abraço!”

 

Por Marilda De Paula Silveira é advogada na empresa Silveira e Unes Advogados, Coordenadora e Professora na empresa Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP

 

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