Fórum Suprapartidário, campo fértil para o fortalecimento das candidaturas femininas

Foto: onumulheres.org.br
Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online.

Ao longo do último século é possível constatar o avanço das mulheres em relação ao mercado de trabalho, formação universitária e autonomia de gestão de sua própria vida, posto que até o advento do Código Civil de 2002, a mulher dependia de autorização do marido para exercer certos atos da vida civil.

A luta é constante e incansável no domínio do espaço feminino em todas as áreas na sociedade e apesar das conquistas já efetivadas, ainda há desafios significativos para assegurar a igualdade de gênero, sobretudo, na política.

Vários são os fatores que contribuem para a limitação do alcance de maiores índices de participação feminina na política. O que mais pesa é o fator cultural, pois, as mulheres foram educadas para cuidar da casa, filhos e mais recentemente de sua carreira profissional, enquanto que os homens, tiveram como norte de sua educação o provimento da família e conquista de poder. Aliás, a própria sociedade é estruturada em função das relações de poder.

A reforma política também passa pela mudança de pensamento e de comportamento na sociedade no que se refere ao compartilhamento das responsabilidades pela educação e cuidados com os filhos e a adoção de políticas públicas nesse sentido parece ser um bom começo para incentivar a participação das mulheres na vida política, porque, muitas não se dedicam à política porque a preocupação com a família, a criação dos filhos e à profissão concorrem fortemente na escala de prioridades da vida da mulher.

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Para reverter essa situação, não basta a sensibilização com o discurso sobre a importância da mulher na política. A própria mulher sabe de sua importância, mas, somente a vontade não basta. É preciso boa dedicação à preparação dessas mulheres para exercer o protagonismo político.

O que se vê, na prática, é a dificuldade enfrentada pelos próprios partidos políticos em prover as vagas destinadas às mulheres, além, do problema da concorrência interna entre candidatos e candidatas.

A organização das mulheres, de forma suprapartidária, criando-se fóruns suprapartidários tem se mostrado caminho viável ao fortalecimento das candidatas. O principal objetivo dos fóruns suprapartidários é priorizar as discussões sobre aspectos relacionais à participação feminina na política, como candidatas e/ou apoiadoras das candidaturas, nas mais variáveis vertentes.

Os movimentos femininos criados nos partidos políticos, em forma de “secretarias”, “coordenações”, ou qualquer outra denominação que as caracterizam, acabam isolando, ainda mais, as mulheres das decisões intrapartidárias, o que gera em muitos casos o enfraquecimento das candidaturas femininas.

Com raras exceções, quando uma mulher se destaca na opinião pública como potencial candidata, a cúpula partidária procura angariar seus votos para um dos candidatos escolhido pelo partido, fazendo com que mulher “ceda” seu lugar a um homem.

Fóruns suprapartidários têm sido criados para discussão de vários temas, como o meio ambiente, gestão pública, entre outros e essa tendência também se estende à mulher na política.

A ideia é unir as mulheres que querem dedicar-se à política e não encontram apoio necessários nos partidos, e trabalhar no fortalecimento de suas candidaturas.

Os Fóruns Suprapartidários representam campo fértil para eleger as mulheres, porque além de promover a candidata, também se dedica à capacitação e formação, o que envolve a comunicação política eleitoral, liderança e empoderamento feminino, legislação eleitoral, captação de recursos, políticas públicas, aspectos constitucionais e administrativos, marketing político, dentre outros temas importantes.

Nos fóruns suprapartidários, a participação da mulher na política está relacionada às candidaturas, mas, também, às eleitoras e às mulheres que trabalham para eleger outras mulheres.

Exemplo, nesse sentido, é o Fórum Estadual Suprapartidário, em Santa Catarina, idealizado por Neusa Dias, contanto, atualmente, com a participação de mulheres vinculadas a 13 (treze) partidos políticos, coordenado pela a publicitária Marianne Cristina Tillmann, que tem feito um excelente trabalho de conscientização e empoderamento, além de promover parcerias com entidades e organizações de mulheres com a mesma finalidade de abrir caminhos e conquistar espaço de igualdade de gênero na política.

A consciência de que “lugar de mulher também é na política” está se desenvolvendo, cada vez mais, e esperamos ver o aumento percentual dos parcos 10 %, dos lugares atualmente ocupados pelas mulheres nos parlamentos, para muito mais a partir das eleições de 2018.

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