Alice Marie Johnson, a bisavó prisioneira perdoada por Trump após pedido de Kim Kardashian

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Uma bisavó americana, que tinha sido presa em 1996 por associação ao tráfico de drogas, foi libertada na quarta-feira após receber clemência do presidente Donald Trump – em decisão que atende a um pedido feito a ele, na semana passada, pela socialite e estrela de TV também americana Kim Kardashian West.

“Eu estou livre para abraçar minha família, livre para viver a vida, livre para começar de novo”, disse Alice Johnson, de 63 anos, em uma entrevista coletiva durante o reencontro com a família. “Este é o melhor dia da minha vida. Meu coração é só gratidão pelo que está acontecendo comigo hoje.”

Bastante emocionada, Alice disse que Kardashian West “se tornou meu anjo de guerra, porque os anjos de guerra nunca desistem”.

Ela ressaltou que a socialite abraçou sua história sem que elas sequer se conhecessem.

“Isso não é uma coisa publicitária para ela. Ela me disse, quando saiu da Casa Branca, que não importava onde essa história fosse parar, que ela nunca deixaria de lutar por mim até eu voltar para casa.”

Foto: @realDonaldTrump

“A ligação que acabei de fazer com Alice será sempre uma das minhas melhores lembranças. Contar a ela (que seria solta) pela primeira vez e ouvi-la gritar enquanto chorávamos juntas é um momento que nunca vou esquecer.”

Kardashian também postou uma mensagem de agradecimento a Donald Trump, a Jared Kushner, genro do presidente e assessor especial da Casa Branca, e a todos que, segundo ela, “demonstraram compaixão e contribuíram para este momento”.

“A comutação (mudança da pena) dela é inspiradora e dá esperança a muitos outros que também merecem uma segunda chance”, acrescentou, afirmando que espera continuar o trabalho nesse sentido em conjunto com “organizações que têm encampado essa luta há mais tempo” que ela.

Liberdade

Imagens de TV mostraram Johnson, bastante emocionada, correndo em direção a familiares.

Alice tinha sido condenada à prisão perpétua em 1996 junto com outras 15 pessoas, por associação a um esquema de distribuição de cocaína no Estado de Tennessee, nos Estados Unidos. Ela atuava como “mula telefônica”, cujo papel era passar mensagens entre traficantes e vendedores.

Mesmo sendo ré primária, foi condenada sem direito à liberdade condicional.

Segundo sua família e seus defensores, Alice teve um comportamento exemplar na prisão e cumpria todos os requisitos para ser beneficiada por um projeto de clemência de prisioneiros lançado pelo então presidente Barack Obama em 2014. Seu caso, no entanto, foi rejeitado.

A história de Johnson chamou a atenção de Kardashian West quando esta assistiu a um vídeo publicado nas mídias sociais. Kardashian compartilhou o vídeo no Twitter em outubro do ano passado com o comentário: “É muito injusto”. E a partir de então se engajou por sua libertação.

Sensibilizada, Kardashian West decidiu acionar o próprio advogado para avaliar o caso e passou a pagar pela defesa jurídica de Johnson. Em seguida, passou a apoiar a campanha por reforma no sistema penitenciário movida pelo genro de Trump.

Uma recente proposta introduzindo treinamento educacional e vocacional a prisioneiros para ajudar na sua reintrodução social, o First Step Act, foi aprovada na Câmara dos Deputados após contar com apoio de Kushner e o subsequente endosso de Trump.

Na semana passada, Kardashian West se encontrou com o presidente para discutir a possibilidade de perdão judicial e, segundo Trump, eles também trataram da reforma do sistema prisional na ocasião.

Depois do encontro, ocorrido na quarta-feira, ele tuitou uma foto com a socialite e escreveu “Grande encontro” junto à imagem.

Depois da reunião com o presidente, ela disse acreditar que Johnson ganhará “uma segunda chance na vida”.

‘Dolorosa expectativa’

De acordo com a família e pessoas ligadas a grupos de apoio, Johnson participava de vários programas da prisão, onde trabalhava na ala hospitalar. Ela se encaixa nos critérios estabelecidos, em 2014, por Obama para o projeto de clemência. No entanto, seu pedido foi negado antes do fim do mandato dele.

“Essa é a última vez que submeto minha família a essa dolorosa expectativa”, disse Johnson à BBC quando o pedido lhe foi negado.

Mesmo assim, o interesse de Kardashian deu sobrevida ao esforço para tentar tirá-la da prisão.

Amy Povah, fundadora da organização CAN-DO Clemency, estava engajada pela libertação de Johnson desde 2014. Ela afirmou que já havia ajudado a coletar assinaturas de mais de 70 organizações que apoiavam o perdão e contava ainda com uma carta de um carcereiro – já aposentado – da prisão de Johnson.

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