O último tango no Planalto

Temer e o último Tango no Planalto
Foto: Jornal do Pais
Rita Gomes Todeschini
Rita Gomes Todeschini – Analista Politica e colaboradora do site Na Pauta Online.

Para quem nunca assistiu ao filme “O último tango em Paris”, sobre um cidadão americano que está à procura de um apartamento em Paris, após o suicídio de sua esposa, conhece uma pessoa e começam um caso bastante conturbado e abusivo. Uma regra é clara: sem contarem nada um do outro.

O tempo passa e vários fatos. A essa altura ele já está encantado por ela, começam a se conhecer e, ao passo que se conhecem, a personagem Jeannie acaba por se desencantar e tudo termina em tragédia.

Uso essa sinopse do filme por analogia, na tentativa de explicar o atual contexto político do Brasil.

Esta semana foi uma das mais conturbadas desde o impeachment do ex-presidente Collor, se for mais a fundo talvez da mesma envergadura das crises de quando Sarney era presidente.

No dia em que a greve dos caminhoneiros tomou força, Temer numa canetada extinguiu o Fundo Soberano.Trocando em miúdos, o que poderia servir como forma de intervenção no caso de alta do dólar não existe mais. Isso sem contar que nossa reserva no exterior, que serviriam em caso de crise, terá outro destino.

Resumindo, se um dia bater uma crise igual a da Argentina, ao invés de contar com nossos recursos financeiros, teremos que pedir pinico ao FMI.

A desculpa para o fim do fundo não é convincente, assim como não é convincente as inúmeras informações desencontradas sobre a greve dos caminhoneiros.

 Greve esta, que escancarou para o Brasil que os diplomados, os empresários, os coxinhas, mortadelas e etc., dependem 100% de uma classe profissional que em sua maioria mal tem o ensino médio.Uma greve que começou tímida, tomou proporções enormes, conseguindo deixar Estados sem combustíveis e alimentos.

O governo numa tentativa de parecer bem na foto, na última quinta feira disse que havia negociado com a categoria e que a greve havia acabado. Mais um tiro no pé.

Vendo que não conseguiu acabar com a greve, dividindo os manifestantes, resolveu apelar para a GLO – Garantia da Lei e da Ordem. Em resumo colocar todo efetivo militar para acabar com os mais de 500 pontos de bloqueio e com isso dispersar os grevistas.O que na realidade pode causar um confronto no qual suas consequências podem ser desastrosas.

O Presi insiste em achar que continua nos anos 70/80/90, quando o executivo/legislativo e judiciário cagavam na cabeça de qualquer um e ficava por isso mesmo.

A situação pode piorar se houver, uma provável, a adesão dos funcionários da Petrobrás. Quando a coluna for publicada, talvez eles já tenham aderido ou não à greve. Isso pode gerar um efeito dominó, mais categorias irão aderir ao movimento e parar o País literalmente.

E a cada dia, Presi Temer demonstra que seus dinossauros políticos estão cada vez mais arcaicos para tempos modernos como estes.

O último tango no planalto, começou quando o povo flertou com um desconhecido, o  Impeachment da ex-presidente, baseando-se em fatos nada confiáveis, sem conhecer quem eram os novos salvadores da pátria.Um vice-presidente que achou que poderia fazer o que quisesse sem ser questionado.Um povo acreditando cegamente em tudo que foi dito, saiu as ruas, bateu panela numa demonstração clara de uma relação abusiva….

O impeachment da presidente Dilma levou esse mesmo povo a creditar que, além de poder tudo, as coisas tinham terminado bem a seus olhos, então começam um “flerte” com o Presi Temer. Mas, como já se previa, este, desde o início de seu “mandado”, insiste em enfiar os pés pelas mãos.

O final deste filme também pode acabar em tragédia.

Até semana que vem.

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